Uma medrosa em Florença

Florença: Onde o Medo deu lugar ao Renascimento

Várias vezes pensei em desistir.

Viajar sozinha era algo que me deixava sem fôlego, não de entusiasmo, mas de um medo paralisante. Na minha mente, a lista de obstáculos era interminável: estar num local onde uma viagem de avião me separava de qualquer pessoa que eu conhecesse, a língua que não dominava, o meu sentido de orientação é o meu ponto fraco é muito fácil perder-me, saber que não havia ninguém a quem pudesse ligar se algo acontecesse…e a lista continuava.

Acordei naquela manhã com vontade de desistir, o medo quase venceu, chamei-me louca muitas vezes. Mas, como desistir nunca fez parte do meu vocabulário, segui em frente. Entrei no aeroporto e não conseguia respirar fundo: “E agora? E se algo corre mal?”

Se para ti viajar sozinha é algo banal, talvez este relato te pareça estranho. Mas para mim, foi verdadeiramente aterrador. Mas era algo que tinha colocado na minha “lista de tarefas” e, num impulso de coragem, comprei a viagem.

O Salto de Fé

O aperto no coração só aliviou quando as rodas do avião deixaram o chão. Adoro voar, e essa sensação de suspensão acalmou a tempestade interna.

Até que tinha chegado ao aeroporto em Itália e ao procurar transporte para o centro da cidade,  pensei: “Isto está mesmo a acontecer, e agora? Socorro!”

Subi para o autocarro e fiquei a ver a paisagem passar; o sol brilhava de forma incrível e tudo era novo para mim. Fiquei ali apenas a ver as imagens passar. Quando saí do autocarro, o medo e a excitação lutavam dentro de mim. Estava ali sozinha, sem ninguém a quem ligar se algo corresse mal, sem sítio para dormir se algo corresse mal, mas, ao mesmo tempo, estava num lugar onde sempre sonhei ir.

O encontro com a Beleza ( e Comigo Mesma)

Tive muita sorte com o proprietário do alojamento; não podia ter sido mais incrível. Tudo correu super bem e eu relaxei. Já tinha um lugar para dormir e alguém a quem ligar se algo corresse mal.

Comecei a caminhar pela cidade, deixando-me deslumbrar pela sua beleza. O Duomo é algo que me maravilhava todos os dias e, quando o vi pela primeira vez, apaixonei-me pela cidade. No final do dia, estava cansada, mas muito feliz. Sim, eu tinha conseguido; estava calma, no lugar onde mais queria estar, sozinha, e muito bem.

Os dias voaram, caminhei muito, perdi-me algumas vezes mas muito pouco — ao contrário do que pensava. Fiz tudo o que tinha planeado, todas as pessoas que conheci foram incríveis. Fiquei maravilhada com o que vi, com o que comi, com o que senti. E nunca mais tive medo. Tive, sim, uma vontade enorme de ficar mais tempo.

O Regresso: Inteira e Completa

De volta ao aeroporto, senti-me muito orgulhosa de mim mesma por ter conseguido apesar do medo, por não ter desistido, por ter trocado o medo pelo prazer. Cheguei de coração cheio, muito feliz com a minha própria companhia e ainda mais certa de que posso fazer tudo o que quiser, confirmando algo que ensino todos os dias no meu Surfando as Estrelas

Nós somos seres completos e inteiros. Só quando nos sentimos bem na nossa própria companhia é que estamos prontos para partilhar a vida com alguém e conquistar o mundo. 

 

Porque é que te conto isto?

Conto-te esta história porque quero que saibas que, se algo te assusta, se parece impossível ou demasiado grande para ti… tu consegues. O medo é apenas uma bússola que indica o caminho para o teu crescimento.

Não esperes que o medo passe para agir. Vai com medo mesmo. Do outro lado da resistência, espera-te uma versão de ti que tu ainda nem imaginas que existe.