No products in the cart.
Ouvia de todo o lado que era a pior altura, que não ia conseguir. Mas, dentro de mim, eu sabia que sim. Eu ia encontrar a minha casa. Na dúvida entre ficar em Lisboa ou mudar de margem, deixei que a vida me trouxesse o que fosse melhor para mim.
E assim comecei a difícil busca. A cada visita, o choque: “Como é que uma casa neste estado pode custar este valor?”. Foram várias as vezes que voltei para casa a chorar. Tive momentos em que vacilei, mas a voz interior insistia: “Confia, tu vais conseguir”. Não desisti. Durante semanas e meses, coloquei ali toda a minha energia.
A cada nova visita, uma desilusão: paredes com buracos, canos a verter água e preços exorbitantes. No meio daquela confusão, não conseguia ver a luz, mas mantinha a certeza de que a minha casa já existia e estava à minha espera, fosse onde fosse.
Era final da tarde e o sol brilhava ainda no céu, quando desci pela primeira vez, a rua onde hoje moro. No mesmo instante, senti algo diferente. Uma sensação boa. Adorei a vista e pensei: “É aqui.” Tentei acalmar-me, disse a mim mesma para analisar bem e não me entusiasmar… mas o meu coração já tinha decidido. Ainda vi outras casas depois dessa, mas nenhuma fazia sentido.
O processo foi longo e duro, mas eu estava confiante de que a vida me levaria para o meu lugar. Hoje, um ano depois, percebo todos os dias o quanto amo a minha casinha. Foi o caminho mais difícil da minha vida, mas também a minha maior superação. É aqui que me sinto em paz, protegida, como se este lugar sempre me tivesse pertencido.
Pode não ser a casa perfeita aos olhos dos outros; muitos podem não compreender o que vejo nela, mas eu simplesmente amo estar aqui. São certezas do coração que a razão não explica. Os defeitos? Eu nem os vejo. Apenas sinto a minha conquista, o vencer dos meus medos e a prova de que acreditar é o primeiro passo para realizar.
A carta esquecida – Já a viver aqui, ao arrumar uns cadernos antigos, encontrei uma carta que escrevi num ritual (de Lua Nova ou de início de ano). Tinha descrito detalhadamente como gostaria que fosse a minha casa. já não me lembrava de a ter escrito e ao lê-la, senti um arrepio e as lágrimas caíram pelo meu rosto, tudo o que eu tinha descrito, de como gostaria que a minha casa fosse estava ali, à minha frente.
A Matrícula do Carro – Os números da matrícula do carro que eu tinha na altura eram, exatamente, o número da porta e o andar da minha nova casa. Digam-me se isto não é incrível?
É verdade, não é a casa perfeita, sei que quem me visita por vezes não me compreende, mas eu sinto-me tão bem lá, tão feliz, os defeitos nem consigo vê-los, parecem nem existir para mim. Apenas sinto a minha conquista, vejo o vencer dos meus medos o facto de ter acreditado sem nunca desistir, e contra tudo o que era esperado, aqui estou na minha casinha.
A minha mensagem para ti:
Quando acreditas verdadeiramente, quando colocas a tua intenção e a tua energia num propósito, sem nunca desistir — contra todas as probabilidades e expectativas — tu consegues. O universo move-se quando nós não duvidamos.
Copyright © 2026 | Powered by Hantus WordPress Theme